
Quando o cliente entra em nosso escritório traz com ele todo seu sistema familiar, além de suas emoções e sentimentos secundários, tais como raiva, vingança por exemplo, crenças e comportamentos destrutivos.
O profissional que possui um olhar mais ampliado pode refletir sobre quais os motivos que levam este cliente a ter este tipo de conflito. O que leva o cliente a agir como age? Quem do sistema familiar deste cliente também passou por esta situação?
E, por meio deste questionamento interno, o advogado pode fazer perguntas sistêmicas direcionadas ao cliente para entender de forma ampla o que acontece dentro do conflito e gerar novas possibilidades de solução.
E qual é o nosso papel enquanto advogados?
Será que estamos facilitando a situação ou intensificando o conflito?
Existe ainda aqueles casos em que o próprio advogado entra em ressonância com seu cliente. Nesses casos, é interessante observar que, não raras vezes, o conflito do cliente faz sentindo para o advogado, que reconhece os sintomas, porque no seu sistema familiar aquilo ressoa e, nesse movimento, o próprio advogado fortalece o conflito ao invés de pacificá-lo.
Assim, podemos dizer que o advogado é o primeiro juiz da causa, por poder estar agindo conforme suas próprias experiências e julgando o seu cliente, interferindo em seu destino, ocupando o lugar que não lhe pertence, como pai ou mãe do cliente.
Neste caso observamos que o advogado faz pelo seu próprio sistema e pelas injustiças que não foram compensadas, na intenção de compensar algo que falta no próprio sistema como: amor, reconhecimento, sentir-se competente, ter sentido, pertencimento.
O advogado com postura sistêmica possui a capacidade e habilidade de olhar para seus próprios clientes e utilizar ferramentas sistêmicas para facilitar a solução de conflitos.
O advogado sistêmico, isenta-se do julgamento moral, passa a olhar para o todo, com empatia sistêmica, gera conexão com o cliente, explora o contexto, facilita o processo de ampliação de consciência e cocria uma solução mais adequada que gera autorresponsabilidade e atende as necessidades internas das partes e todos os envolvidos.
(Fonte: Livro Pensamento Sistêmico – Fabiana Quezada e Andreia Roma, Editora Leader, 2019)