BREVE COMENTÁRIO SOBRE A VIOLÊNCIA DOMÉSTICA SOB A VISÃO SISTÊMICA

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Será que a origem do conflito da violência doméstica se resume, tão somente, na definição do vencedor do jogo de poder? É para isso que estamos olhando como profissionais? É para isso que estamos trabalhando? Ou será que existe algo mais? Qual a contribuição do olhar sistêmico a partir dos princípios codificados por Bert Hellinger? Como esses princípios podem agregar valor a esse tema?

Podemos dizer que um casal que se encontra nesse tipo de conflito é muito mais do que duas pessoas em um litígio, é muito mais que uma vítima e um agressor, nós devemos olhar para o que vai além nesse conflito, perante a sociedade e perante o Judiciário.

Cada indivíduo possui seu sistema, seus padrões, suas crenças e, principalmente, seu contexto, permitindo um atendimento com foco no ser humano do que apenas à demanda, uma vez que ocorre pautado pela consideração das partes litigantes de uma forma não dual, percebendo que ambas tiveram sua responsabilidade na questão em tela, e, para além da percepção, dá lugar a tudo que faz parte de seus contextos.

Compreender a violência doméstica dentro de cada universo familiar, tanto das vítimas quanto dos agressores, é um passo para o movimento de mitigar a violência e alcançar mais harmonia nas relações.

A vida é o bem mais importante e há vida de mulheres sendo ceifadas, isso é grave, é urgente o olhar atento a esta questão e nosso comprometimento incansável pela busca de soluções através de nossa contribuição com relação a esse tema.

Qual a minha contribuição? O que posso oferecer para que isso diminua? A empatia está aí como qualidade para oferecer uma possibilidade de melhor compreensão sobre quais são as dores e as necessidades do outro ser humano.

Eu sugiro desenvolvermos mais pensamentos de paz, que cada um de nós nesse momento possa vibrar a paz, vibrar que todos os homens e todas as mulheres possam buscar dentro de si a saúde, para que nós não continuemos perpetuando dívidas emocionais entre o sistema dos homens com as mulheres gerando tantos traumas.

Às mulheres que estão passando por alguma vulnerabilidade ou percebem que têm na sua vida esse histórico, sugiro mentalizar como se fosse um mantra, uma frase de cura: “Que minhas relações a partir de agora sejam uma relação de paz e de respeito, principalmente com os homens; que venham até a mim somente pessoas para ter comigo relacionamentos de paz e respeito.” E sinta essa oração reverberar em você como uma realidade!

Com esse olhar sistêmico, distingue-se que as relações e escolha de parceiros não é ocasional, mas sim sistêmica, pois o padrão que um indivíduo traz de sua família enquadra-se, ainda que de forma perniciosa, no padrão daquele que ele escolheu para compartilhar a vida, ou seja, as estruturas se repetem e apenas findam quando esses sistemas são observados e trazidos à consciência.

Desta forma, ante os abismais relatos e índices de violência doméstica nos noticiários, esta visão abre um espaço de reflexão e possível harmonia para alguns destes casos, mas há de se observar com cuidado os graus de violência, pois, pensar sistemicamente não é o mesmo que reconciliar, pois muitas vezes o necessário afastamento e proteção ostensiva são imprescindíveis.

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