No papel de advogada, especialista em Direito de Família, confrontando sempre os problemas relacionados à proteção dos vulneráveis, tais como aqueles envolvendo crianças e adolescentes, é indispensável debater sobre a gestão dos conflitos na retomada do ensino após a pandemia, visto que não se trata de um retorno “pós-férias”.
O Mediador Escolar ou Gestor de Conflitos, nesse momento, possui acentuada importância na atuação efetiva nos ambientes escolares, a fim de prevenir consequências danosas ao retorno às aulas.
Há que se pensar e avançar nos cuidados de saúde pública e organizar a retomada das atividades, seguir protocolos, planejar os impactos emocionais e rituais de acolhimento de alunos e professores. As escolas que ainda não traçaram um plano de retorno já estão atrasadas.
A ação fundamental do gestor de conflito é de trazer serenidade ao ambiente escolar para que todos os envolvidos possam tomar as melhores decisões, pois, estamos diante de uma crise que afeta a saúde das pessoas, é tudo muito novo e o inimigo é invisível.
Constata-se, através dos noticiários, que os efeitos da COVID-19 no emocional das pessoas envolvidas com a educação são, notadamente, alarmantes. Com o retorno às aulas, existirá um estresse tóxico em que todos terão que aprender a lidar.
Torna-se imprescindível, cooperar por semanas acolhendo uns aos outros, saber ouvir as histórias de cada um. Principalmente ter um olhar atento, sobretudo, às professoras, porque a maioria é mulher além de passarem pelo alto risco de ter sofrido violência doméstica no período da quarentena, eis aqui outro componente extremamente importante do estresse tóxico que afeta psicologicamente.
A escola sozinha não dará conta dos conflitos que estão por emergir, afinal, cada aluno e professor possui seu universo particular, composto de uma matriz de sentimentos, reações e emoções.
Evasão escolar, defasagem na aprendizagem, desigualdades, questões emocionais não tratadas, são alguns dos principais riscos pós pandemia.
A educação salva vidas e deve ser tratada com prioridade para se recuperar de uma pandemia, de modo a sair mais forte ou mais rápido da crise.
A atuação de um profissional especialista em gestão de conflitos no âmbito escolar agregará em altíssima qualidade no ensino e no destaque da instituição que adotar esse método colaborativo, cooperando com a vida e tornando-a mais leve e mais fácil, menos violenta e mais respeitosa.